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quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

TERRAS RAIANAS

BADAJOZ 



15 de Novembro de 2023


Estando em Campo Maior e tendo já percorrido quase todas as ruas visitando os locais de maior interesse histórico, cultural e paisagístico, era nossa intenção fazer o mesmo em Badajoz que só conhecíamos de passagem ou de esporádicas viagens em trabalho nos anos 90 do século passado. E foi isso que fizemos. Após o almoço em Campo Maior num dos vários restaurantes que experimentámos (neste caso, a Taberna do Ministro que mais uma vez não desiludiu) rumámos a Badajoz numa curta viagem de cerca de 20 km e dirigimo-nos à AS situada junto ao rio e perto da ponte pedonal que nos conduz ao centro, atravessando o Guadiana. 
O espaço é agradável e dispõe de bastantes lugares o que não impede que muitas vezes se encontre completamente ocupada. Não foi o caso pois ainda havia alguns lugares disponíveis e, apesar de uma ligeira inclinação no terreno que corrigimos com a colocação de cunhas, ficámos muito bem instalados. 
Aproveitámos para dar um passeio pelo belo parque nas margens do rio, o Parque do Guadiana, onde, naquele fim de dia e com o tempo ameno que se fazia sentir, se encontrava muita gente a fazer caminhada ou outro tipo de exercício físico. 
De regresso à AC sentámo-nos um pouco numa das agradáveis esplanadas que por ali se encontram e assim se passaram as nossas primeiras horas em Badajoz.

Junto ao rio, os patos que ali habitam, mal sentem a aproximação de pessoas vêm todos em bando na esperança de receber algum alimento, o que constitui uma distração para miúdos e graúdos

O dia estava a chegar ao fim e as luzes da cidade  espelhando-se no rio davam-lhe um luminoso aspecto, pleno de encanto e de magia

A noite foi tranquila e nada nos incomodou apesar de ao fim do dia os lugares estarem praticamente todos ocupados.
De manhã preparámo-nos para ir à descoberta da cidade e assim fizemos. Atravessámos a ponte de Palmas, a ponte pedonal que nos dá acesso a pé ao centro da cidade. Logo em frente à saída da ponte, temos a Porta de Palmas, um dos monumentos mais representativos da cidade, ladeada por dois torreões cilíndricos e inserida na fortificação abaluartada que envolve a zona histórica da cidade.


Igreja de S. João Batista na Plaza Minayo




Percorrendo as ruas frente à Porta de Palmas, procurámos um Posto de turismo para recolhermos informação sobre a cidade. Na Praça Minayo encontrámos o que pretendíamos, no Centro cultural El Hospital que funciona nas instalações de um antigo hospital. Perto fica o Teatro Lopes Ayala, (na foto acima, edifício por detrás da estátua).
Dali seguimos para a Praça de Espanha onde se situa a Catedral que visitámos não deixando de subir os imensos degraus da sua torre com 41 metros de altura e de onde se admira uma vista espetacular.
A Catedral de S. João Batista, construída entre os séculos XIII e XVIII situa-se na Praça de Espanha, o coração do centro histórico. 

Exteriormente a catedral assemelha-se a uma fortaleza com paredes maciças, ameias e uma torre sóbria onde se encontra o campanário. 

  Se o exterior da Catedral é de linhas simples destituído de adornos arquitetónicos, o mesmo não se pode dizer do seu interior, em gótico tardio. Tem uma nave principal e duas laterais, um altar mor com um retábulo profusamente decorado

Os vários altares laterais também são muito ricos, alguns em talha dourada

Num dos andares da torre sineira encontra-se o complexo e antigo mecanismo do relógio da torre. Ali podemos também observar as instalações onde vivia o sineiro e a sua família.

O dia estava com alguma nebulosidade mas a vista é esplêndida

Edifício do Ayuntamento de Badajoz

A Casa Buiza é um dos edifícios que se destacam na Praça de Espanha pelo seu estilo regionalista andaluz

Depois de visitar a catedral e já com as pernas a acusar a subida à torre, estávamos na hora de almoço, o que fizemos (e muito bem) num dos restaurantes da Praça Alta, uma das que mais nos encantou pela sua dimensão e pela sua beleza, em estilo mudejar com as suas arcadas e o colorido desenho geométrico das fachadas dos edifícios que a rodeiam.

Plaza Alta


Esta praça foi outrora o centro administrativo da cidade e também um centro social e de comércio. Aqui se encontram vários restaurantes com belas esplanadas. E foi aqui que almoçámos na Bodega San José e retemperámos forças para a visita à Alcazaba, a cidadela islâmica muralhada que visitámos após o almoço. 



A Alcáçova de Badajoz fica situada no alto do Cerro de La Muela, com uma vista dominante sobre a planície em redor. A topografia do terreno reforçava o seu caráter defensivo: era rodeada por encostas íngremes e dois fossos naturais: o Guadiana e a ribeira de Rivillas.
O conjunto muralhado da alcáçova foi considerado Monumento Histórico-Artístico em 1931. No seu interior situa-se o Museu Arqueológico, a Biblioteca da Estremadura, instalada no antigo Hospital Militar onde também funciona a Faculdade de Ciências da Documentação e da Comunicação da Universidade da Estremadura.


Foi por esta entrada que acedemos ao interior do recinto da Alcáçova. É a Porta do Capitel, , uma das duas portas da época almóada perfeitamente conservadas. Na torre que se vê por detrás tem outra porta, obrigando quem entrava a fazer uma curva entre muralhas. Assim, o acesso podia ser vigiado da muralha e da torre situada junto a ela.

Palácio dos Condes de la Roca onde, actualmente, funciona o Museu Arqueológico

Parte da muralha com um largo passeio por onde se pode circular e as várias torres que se encontram ao longo da mesma

A Torre de Espantaperros é a torre mais importante da Alcáçova, também conhecida como Torre de Atalaia ou de Alpéndiz. O seu nome popular (espantaperros que quer dizer espanta cães) deve-se ao som agudo do sino que outrora existia na torre. 



Das muralhas conseguimos ter bonitas vistas sobre a cidade







No interior da Alcáçova há um extenso parque público com abundante vegetação e espaços abertos

O dia estava a chegar ao fim e havia que regressar à autocaravana que ainda estava um pouco distante. Fizemo-lo sem pressa percorrendo as típicas ruas desta zona e apreciando alguns edifícios mais carismáticos.

Igreja de Santo Domingo

La Giralda, bonito edifício em estilo neo-modéjar. Foi construído como edifício comercial  em 1930 no local onde existiu a 1ª Ermida de la Soledad, reconstruída mais tarde num outro espaço no mesmo largo.







Estivemos 3 dias em Badajoz e este 3º dia foi aproveitado para passear pelas ruas do casco antigo. almoçámos num dos restaurantes desta zona e de tarde continuámos o nosso passeio no parque do Guadiana onde fica a AS.


Uma referência ao Fado na Plaza de Portugal



Ermida de La Soledad na Praça do mesmo nome





Ao anoitecer ainda registámos nalgumas fotos a beleza desta cidade onde as luzes realçam tantos  tesouros escondidos que o dia nos mostra com outras cores de uma outra beleza.

Daqui seguimos para Mérida que também fazia parte deste nosso projeto de viagem. E sobre Mérida será a próxima mensagem.







TERRAS RAIANAS

MÉRIDA 


18  de Novembro de 2023

Nesta nossa viagem do mês de Novembro, após visitarmos Campo Maior e Badajoz, faltava-nos Mérida, capital da Estremadura espanhola e uma das mais antigas cidades da Península Ibérica onde encontramos um valioso património arqueológico que nos permite conhecer melhor os povos que habitaram esta região.
Consta que a cidade foi fundada como colónia romana no séc. I a.C. por ordem do Imperador Otávio Augusto para servir de local de aposentação para os soldados veteranos da V e X Legiões. Daí lhe vem o nome, dado pelos romanos - AUGUSTA EMÉRITA.
A cidade era uma das mais importantes de toda a Hispânia e dispunha de todas as comodidades de uma grande urbe, sendo a capital da província da Lusitânia.
Ao longo dos séculos foi sendo ocupada por outros povos como os Visigodos, mais tarde por muçulmanos  e em 1230 reconquistada pelas  tropas cristãs de Afonso IX de Leão. Todas estas civilizações deixaram as suas marcas.
Mérida encontra-se na região atravessada pelos rios Guadiana e Albarregas.
O conjunto arqueológica de Mérida foi inscrito na lista do Património Mundial em 1993 devido à sua importância histórica e monumental.


Uma das entradas de acesso ao Anfiteatro

Anfiteatro de Mérida, erigido no ano 8 a.C. foi palco de espetáculos muito populares naquela época como os jogos de gladiadores, as caçarias de feras e lutas entre animais selvagens em cenários artificiais que recriavam selvas e outros ambientes naturais. tudo isto em cima de grandes estrados de madeira que formavam a arena. A lotação deste espaço era entre 15 a 16 mil espetadores. O anfiteatro encontra-se contíguo ao Teatro Romano.

Teatro Romano construído sob o patrocínio de Agripa, genro de Augusto, entre os anos 15 e 16 a.C. Tal como o Anfiteatro, o Teatro foi parcialmente edificado na ladeira de um cerro ali existente, para diminuir os custos da construção

Esta obra monumental, nesta cidade histórica é a única que após o seu restauro voltou a ter a sua função original pois desde 1933 que é palco do Festival Internacional de Teatro Clássico de Mérida


A parte traseira do Teatro

No espaço circundante encontram-se ruínas de outros edifícios de utilidade pública. Nesta civilização tão desenvolvida para a época, ficamos sempre surpreendidos com a capacidade intelectual dos engenheiros da época na construção destas obras já tão evoluídas, muitas das quais perdurando ao longo dos séculos.

Nas traseiras do teatro há um grande jardim com inúmeros vestígios arqueológicos da funcionalidade daquele espaço.

 Neste muro que limitava o espaço do teatro encontram-se alguns nichos com estátuas dos membros da família imperial.

Visitámos o conjunto monumental durante a manhã deste primeiro dia que passámos em Mérida. Após o almoço utilizámos o comboio turístico para conhecer o resta da cidade.

Oratório dedicado a Santa Eulália, conhecido pelo nome de Hornito

Igreja de Santa Eulália, um dos locais mais importantes da história cristã da Península Ibérica, tendo sido o 1º templo cristão erigido na Hispânia na época do imperador Constantino. Por baixo desta igreja (reconstruída em 1230 após a reconquista deste território, abandonado pela comunidade cristã em 875), pode admirar-se a Cripta, escavada na década de 1990, onde se vêem ruínas romanas e visigodas, pinturas murais e um mausoléu que recorda o acontecimento que justificou a construção deste templo: a memória de Santa Eulália, a menina mártir que se tornou num símbolo de persistência e fè cristãs face à perseguição romana.

Alguns pilares do Aqueduto dos Milagres, do qual se vêm outros troços nas 3 fotos seguintes.

Este importante aqueduto faz parte de uma construção hidráulica que trazia a água da represa de Proserpina. O seu nome "Los Milagros" deve-se à admiração que o seu estado de conservação causava entre as populações locais, apesar das vicissitudes do tempo. Ainda se conservam mais de 800 metros deste aqueduto apesar de algumas das suas torres de granito e tijolo terem cerca de 27 m de altura.





Parte da muralha da Alcáçova àrabe

Ponte Romana

Praça de Touros

Terminada a viagem no comboio turístico esta na hora de regressar à autocaravana e descansar pois o dia tinha sido muito completo e já se fazia sentir algum cansaço.
No dia seguinte já com as forças retemperadas das caminhadas que fizemos na véspera, fomos visitar o Museu Nacional de Arte Romana que exibe um considerável património de material encontrado no conjunto arqueológico de Mérida.
Este museu, construído entre 1980 e 1986 com a finalidade de albergar o imenso património arqueológico encontrado nas escavações, é um edifício concebido pelo arquiteto espanhol Rafael Moneo. Deslumbra-nos pelas sua colossal dimensão, notável no interior pelo uso reiterado de arcos e a utilização de tijolo e cimento, recriando os grandes edifícios do período tardo-romano. Está perfeitamente integrado no local onde se encontra implantado, aproveitando a morfologia do terreno. Tem um espólio riquíssimo e todo este conjunto nos encantou.

Na cripta do museu foram encontradas várias casas romanas que se conservaram no local Nalgumas destacam-se colunas e restos de pinturas murais 




Neste museu podemos admirar uma das melhores coleções de escultura romana e mosaicos da Península Ibérica.





Os inúmeros objetos expostos permitem-nos um conhecimento do modo de vida dos romanos e dos habitantes de Mérida ao longo das várias épocas




Muito havia ainda para conhecer nesta bela cidade onde se cruzaram várias civilizações mas ficará para uma próxima visita.
Regressámos ao nosso país com vontade de voltar e, logo que possível, assim faremos.