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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

FLUVIÁRIO DE MORA

Acabados de chegar de um fim-de-semana “super repousante” em que privilegiámos o contacto com a natureza e a tranquilidade de um daqueles recantos do nosso país onde a poluição ainda não se faz sentir, queremos aqui deixar o nosso testemunho para memória futura e também para que, quem não conhece, possa vir a descobrir este belo local.
Com o clima incerto que se tem feito sentir estes últimos dias, não sabíamos bem até onde ir no fim-de-semana, até que surgiu a ideia de uma visita ao Fluviário de Mora que ainda não conhecíamos e se tornava relativamente próximo para, no caso de as condições climáticas piorarem, regressarmos a casa sem ter andado muitos quilómetros.
Com o céu nebulado mas a temperatura agradável lá nos deslocámos até ao Fluviário, inserido no Parque Ecológico do Gameiro, a cerca de 2Km da povoação de Cabeção. As condições do local foram, para nós, uma agradável surpresa. Junto ao açude do Gameiro no rio Raia ( cujo paredão é utilizado como estrada que liga as duas margens) existe uma praia fluvial, parque de merendas, parque de campismo, zona de lazer, clube náutico e zona de pesca desportiva, além do fluviário como principal atração.
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Inaugurado em 2007, o Fluviário é constituído por um conjunto de aquários e diversos espaços envolventes, representando o percurso de um rio, desde a nascente até à foz com a fauna e flora adjacentes e seus habitats naturais. Neste percurso estão distribuídos 500 exemplares de 72 espécies de peixes e de outros animais, sendo a 1ª estrutura, do género, na Europa e a 3ª no mundo.

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Nos vários aquários é possível observar algumas das espécies mais comuns dos nossos rios assim como algumas espécies invasoras e outras exóticas.

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As lontras, com as suas brincadeiras, são outra das atrações do Fluviário que enternecem e divertem aqueles que as observam.

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O parque de campismo é um local aprazível e muito sossegado, ótimo para uns dias de agradável descanso em contacto com a natureza.

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As árvores, além de embelezarem a paisagem, fornecem agradável sombra nos dias mais quentes.

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Junto à praia fluvial existem vários equipamentos de lazer incluindo um passadiço de madeira com cerca de 1,5 km onde se pode fazer passeios de observação da natureza.

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Existe também um percurso que inclui o passadiço e trilhos por uma zona de montado, com a extensão de 5,5 km, ótimo para fazer caminhada num ambiente de contacto com a natureza e a sua fauna e flora.
Foi com imenso prazer que fizemos esse percurso nos dois dias que lá passámos: na 1ª vez foi o entusiasmo da descoberta e, no dia seguinte, o gosto de repetir a experiência que tanto apreciámos…


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De salientar que tudo se encontra muito limpo e em bom estado de conservação.
Num fim-de-semana que se preze não podemos esquecer a gastronomia local e, como habitualmente fazemos, procurámos informar-nos onde poderíamos saborear  a rica cozinha alentejana repleta de sabores e aromas. Indicaram-nos o restaurante Palmeira, na povoação de Cabeção, a cerca de 3 Km do Fluviário. Não foi difícil encontrá-lo e em boa hora o fizemos  porque, na verdade, era tudo muito bom desde os ovos com espargos e os torresmos, das entradas, ao ensopado de borrego, das tiras de vitela grelhada com migas  de coentros às migas de espargos com carne frita. Pratos de caça variados assim como os de peixe. O pão e o vinho, muito bons e das sobremesa nem se fala… Enfim, um paraíso para o paladar mas “uma facadinha” na dieta…  Gostámos tanto do almoço que regressámos no dia seguinte e a opinião inicial manteve-se e saiu reforçada.
Para terminar deixo aqui um quadro encantador, daqueles que se encontram, tantas vezes, nas nossas aldeias.
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Foi um fim-de-semana muito agradável. Em breve voltaremos!…

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

LAGO AZUL - Barragem de Castelo de Bode




O nosso País possui recantos encantadores que nos proporcionam momentos de lazer e de repouso sem termos que nos deslocar para muito longe de casa. As belezas naturais, o sossego, o ar puro e a paz e tranquilidade são bens que estão ao nosso alcance em muitos desses recantos e que, muitas vezes, não sabemos ou não podemos aproveitar.
Aproveitar o fim-de-semana para descansar, fazer caminhadas por entre pinheiros e outras frondosas árvores, passear de barco nas calmas águas do rio Zêzere ao longo da albufeira do Castelo de Bode e ouvir o vento soprar de mansinho no silêncio da noite, num lugar paradisíaco, são privilégios que procuramos não desperdiçar, sempre que nos é possível. Hoje, foi o regresso a casa e, de tão maravilhoso que foi, não podia passar sem deixar aqui o registo .
O Lago Azul fica a cerca de 6 km de Ferreira do Zêzere. Tem uma praia fluvial, uma estalagem, marina para várias embarcações de recreio, várias moradias nas margens da albufeira e um sossego aliado com a beleza natural que o tornam um lugar edílico.

     Espreitar pela janela, ao acordar, e ter uma paisagem destas, é um encanto para os olhos e para a     alma!...
 
 
O barco S. Cristóvão permite realizar passeios ao longo da barragem, aos domingos, com almoço servido a bordo. 
 
Encontram-se algumas aldeias nas margens da albufeira, ao longo do rio. Esta foto é de Dornes, uma graciosa povoação situada numa pequena península alguns quilómetros a montante do Lago Azul. A sua origem é muito antiga, suspeita-se que será anterior à fundação da nacionalidade, a avaliar pelos muitos achados arqueológicos que lá têm sido encontrados.

Uma outra vista de Dornes, vendo-se à esquerda a sua igreja construída no séc. XIII e onde existe um órgão de tubos oitocentista e antigas imagens de pedra de Nª Sra. do Pranto (a padroeira) e de Sta. Catarina. O púlpito, do sé. XVI, também é muito bonito. Junto à igreja encontra-se uma torre templária de forma pentagonal, que é um dos símbolos desta povoação.


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  História
Lenda de Dornes


A vila de Dornes fica no concelho de Ferreira do Zêzere. Apesar de existirem provas documentais de que até ao século XV foi conhecida por Dornas, um velho manuscrito existente na Biblioteca Nacional de Lisboa explica que a etimologia da povoação proveio da lenda que vou contar.

Há muitos séculos atrás, as terras desta região pertenciam à Rainha Santa Isabel, mulher de el-rei D. Dinis. Era feitor da Rainha, na região, um cavaleiro chamado Guilherme de Pavia, ao qual atribuíam proezas milagrosas.
Conta-se deste homem que, certa vez, passou a pé enxuto o rio Zêzere, caminhando de uma margem para a outra sobre a sua capa, que lançara sobre as águas.
Um dia, andava Guilherme de Pavia atrás de um veado na banda de além do Zêzere, onde só havia brenhas e matos espessos, quando ouviu uns gemidos muito dolorosos. Tentou saber de que sítio provinham e, apesar de perder algumas horas nesta busca, nada conseguiu achar, pois os gemidos pareciam provir dos mais diversos locais. No dia seguinte voltou ali e de novo os gemidos se espalharam à sua volta, vindo agora de um tufo espesso de mato, depois de um rochedo, numa ciranda sem fim. Guilherme de Pavia sofria espantado, partilhando a dor daquele alguém que parecia fazer parte do universo. Ao terceiro dia tudo se repetiu como antes.
Tomou, pois, a decisão de partir para Coimbra onde estava a sua senhora, a fim de lhe relatar aqueles estranhos factos. Assim que chegou à cidade dirigiu-se imediatamente à pousada real e solicitou a sua visita a D. Isabel.
Esta, mal o viu, e depois das saudações devidas, disse-lhe:
-Vindes por via dos gemidos, Guilherme?
-…!
-Não precisais espantar-vos! Três noites a fio sonhei com eles e sei do que se trata.
-O que é então, Senhora? Procurei por todo o lado e nada vi!...
- Bem sei. Deus contou-me tudo nos sonhos. Agora vais voltar ao local e procurar onde te vou dizer: aí acharás uma imagem santa de Nossa Senhora, com o Filho morto em seus braços.
-Assim farei, minha senhora Dona Isabel! Mas, e depois, que faço eu dessa imagem?
-Guardá-la-ás contigo até me veres chegar junto a ti!

Despediu-se Guilherme de Pavia da Rainha Santa, levando na memória a localização exacta da moita onde a imagem de Nossa Senhora o aguardava gemendo, e partiu de Coimbra.
Já de volta a terras do Zêzere, o cavaleiro dirigiu-se à serra de Vermelha, como lhe dissera D. Isabel, e foi milagrosamente direito a determinada moita onde achou enrodilhada em urzes a imagem da Virgem pranteando a morte de seu Filho.
Durante algum tempo manteve-a consigo, na sua própria casa. Os gemidos haviam cessado e assim Guilherme de Pavia tinha a Santa Imagem na sua câmara, com um archote aceso de cada lado.
Um dia, a Rainha Santa foi, finalmente, às suas terras do Zêzere resolver o caso da imagem. Assim, junto a uma velha torre pentagonal que já aí existia, mandou erigir uma ermida para a Virgem achada nas moitas. E nessa torre - que provavelmente foi construída pelos Templários -, ordenou que se instalassem os sinos da ermida.
Em breve o povo começou a construir casas em redor da capela e da torre e, diz a lenda, a Rainha Santa deu a essa vila nascente o nome de Vila das Dores, nome que com o tempo se teria corrompido até dar Dornes.
É isto o que conta a lenda transcrita no velho manuscrito.
A capela com a sua torre sineira ainda hoje existem, e a imagem achada há muitos séculos atrás é venerada sob a designação de Nossa Senhora do Pranto.
in Frazão, Fernanda. "Lendas Portuguesas", vol. IV, pág. 75-79. Ed. Multilar. Lisboa: 1988

                                  
                               
 
Ponte que atravessa o rio e que liga o concelho de Ferreira do Zêzere ao de Cernache de Bonjardim e que se situa perto de Dornes.



 

                                                                    Estalagem do Lago
                                     Ponte que liga o concelho de Ferreira do Zêzere ao de Vila do Rei








                              Fotos do empreendimento turístico Varandas do Lago


O fim-de-semana terminou mas o local fica à nossa espera para um regresso que poderá ser, mais ou menos, próximo...